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Quando Truman Capote escreveu Breakfast at Tiffany’’s, em 1958, pensou que sua amiga Marilyn Monroe seria a tradução perfeita da personagem Holly Golightly, espécie de callgirl e cabeça de vento, socialite golpista e ao mesmo tempo ingênua, que flana pela vida à procura de um ricaço. Capote bradava que a loira tinha um quê de inocência (?) capaz de tornar a personagem amoral em uma charmosa mocinha. Bem, quando resolveram filmar a obra, em 1961, Marilyn era exclusiva da Fox, o livro era da Paramount, as duas produtoras não se bicavam e jogaram a magrela Audrey Hepburn numa ciranda de maledicências puxada pelo próprio escritor. Capote hostilizava a atriz durante as filmagens e, diz a lenda, nunca reconheceu que a elegante e delicada Hepburn driblou a tal “sociedade protetora da moral e bons costumes” e deu ao seu nome um tantão daquela sofisticação que ele tanto gostava. O que diria então Truman Capote se hoje entrasse em uma livraria e topasse com a estampa da atriz na capa de uma de suas obras mais populares? Bonequinha de luxo, recém-lançado pela Companhia das Letras, pega carona na descoberta do manuscrito Summer Crossing e a provável indicação ao Oscar de Philip Seymour Hoffman, protagonista de Capote, filme que enfoca a concepção do marco do romance jornalístico A Sangue Frio. Capote deve chegar às telas brasileiras no meio de fevereiro e a nova edição de Bonequinha ainda reúne três contos do autor: “Uma Casa de Flores” (1951), “Um Violão de Diamante” (1950) e “Memória de Natal” (1956). Diferente da versão romântica e meio bobinha do filme, o original transborda um humor cínico e pessimista. O narrador diz não saber de HolIy desde que ela partira para o Brasil havia 15 anos. A foto de uma escultura africana dá dicas do paradeiro da garota de programa que virou a cabeça de muitos nova-iorquinos e o faz relembrar os agitados dias em que foram pouco mais que, digamos, amigos. A trama gira em tomo de Holly, que tem seu mundinho chique e identidade abalados pelo aparecimento de Paul Varjak, escritor meia-boca sustentado por uma mulher mais velha. O encantamento dos dois é inevitável e, óbvio, morrem em uma tensão sexual que beira o impossível, já que ambos têm passado sujo, não trabalham e, parece, não se incomodam de serem sustentados por terceiros. Holly ganha “gorjetas” de US$ 50 só para acompanhar uns “tios” ao banheiro. Também é protegida de um gângster que mora na prisão de Sing Sing. Já Paul, homem de uma só mulher - no caso a que o sustenta - protela para escrever um segundo livro e vive como gigolô. A partir daí acabaram as semelhanças com o filme e acidez de Capote descamba para o pessimismo. Talvez aí explique-se a obsessão do escritor por Monroe, sua vida desregrada e o romance com o presidente bonitão John Kennedy. Convenhamos, a boazuda é mesmo a cara da descrita “doidinha” ql\e pula de festa em festa. A Holly Golightly do livro tem traços bissexuais e tentará se arrumar com um político brasileiro bem ambicioso. Vejam a frase profética que ela diz ao candidato a marido que quer levá-Ia para o Rio de Janeiro: “Ser presidente do Brasil: que coisa mais inútil um homem pode querer!”. Mas é outra frase que entrará para a história: “ainda quero ser eu mesma quando acordar numa bela manhã para tomar café da manhã na Tiffany” s”, sonha Holly - daí o título original do livro, Breakfast at Tiffany’’s. Quando publicada a primeira vez, a obra foi festejada, e seu autor, idem. A revista Time chamou a personagem de Lolita crescida. Nascido em Nova Orleans em 1924, Truman Streckfus Persons adotou por conta própria, aos 11 anos, em 1935, o sobrenome do padrasto, Joseph Garcia Capote, descendente de portugueses. Fazia o tipo esquisitão, ou melhor esquisitinho: ele não tinha nem 1,60m. Sua fama extrapolou os Estados Unidos quando em 1966 publicou A Sangue Frio , um dos mais importantes do gênero chamado de jornalismo literário. E é justamente sobre a concepção do livro que fala Capote, filme que pode render um Oscar a Philiour Hoffman. Em 1959, ainda jornalista e trabalhando na revista New Yorker, leu uma notícia escondida nas páginas internas do jornal The New York Times. Herbert W. Clutter, sua mulher e dois filhos, da cidadezinha de Holcomb, no Kansas, o mesmo de Doroty, de O Mágico de Oz, tinham sido assassinados. O olho apurado viu ali uma boa história e Capote convenceu o chefe a despachá-lo junto com o colega Harper Lee para o interior do interior dos Estados Unidos. Frise-se: quando a dupla partiu para o Kansas, os assassinos ainda eram desconhecidos e não haviam sido capturados. Depois que Lee conquistava a confiança dos “caipiras” - Capote chamava o povo de Holcomb assim - o baixinho aparecia com perguntas indiscretas e minuciosas. Presos os dois assassinos, tinha passe livre para visitá-los na penitenciária. Ao colocar o ponto final na série de reportagens sobre o crime bárbaro, tinha inventado o que chamou de “romance sem ficção”, em que o narrador presume pensamentos e intenções de personagens reais, baseado em conversas e anotações.. Correio Braziliense
Por: Slash ZennedPara baixar se livro é preciso ser cadastrado no site
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Enviado dia: 10/07/08, 15:31
Tags: Truman Capote
Brilhantemente escrito, “Bonequinha de Luxo” com certeza deve estar em sua lista de livros!
Capote acertou mais uma vez ao escrever um livro tão bonito e cativante. Com certeza Holly será lembrada, e a obra admirada e comtemplada como um verdadeiro clássico para sempre.