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A Filosofia Perene
Filosofia perene, ou philosophia perennis, em latim. Cunhado pelo pensador alemão Leibniz, no século 17, o termo se refere ao que há de uno e eterno nas tradições filosóficas e espirituais de todas as épocas. Em suma, o substrato divino imanente às diversas religiões. E foi justamente nesse manancial de sabedoria que o romancista inglês Aldoux Huxley encontrou, durante a II Guerra Mundial, a lucidez necessária para dar sentido à sua vida em meio àquele turbulento período de crise. Os frutos da jornada metafísica daquele que é considerado um dos maiores escritores do século 20 podem ser conferidos no clássico A Filosofia Perene (Cultrix), em que Huxley reuniu e comentou aforismos de místicos, santos e sábios. Raramente advindos do campo filosófico ou artístico, esses expoentes da philosophia perennis vêm, antes sim, do interior das religiões mesmas, da mística autêntica que as anima. Nesse sentido, as investigações de Huxley acerca da espiritualidade humana, muito mais do que apenas oferecer alívio existencial imediato, servem como uma vigorosa comprovação do princípio transcendente que unifica todas as linhas espirituais.
Publicada em 1943, a obra é subdividida em tópicos que vão da natureza de Deus à Contemplação, passando pela Fé, a Salvação e a Santidade, entre outros, todos apresentados pelas palavras de gigantes do espírito como o sufi al-Ghazali, o mestre taoísta Lao-Tsé, o místico protestante Jacob Boheme e Santa Teresa de Ávila. Por trás de todos os temas, o ponto essencial do livro: o eterno questionamento sobre o Absoluto e como o homem faz para conhecê-Lo - seja Ele chamado Deus, Allah ou Brahma.
A realidade de Deus, afirma Huxley, é una em relação à multiplicidade da criação e “só pode ser apreendida direta e imediatamente”. E exemplifica essa idéia com uma citação do hindu Shankara (século 7 d.C.): “Deus não pode ser definido por uma idéia ou palavra. Ele é o Um, diante do Qual todas as palavras recuam”. Segundo Huxley, a contemplação de Deus se dá quando o fiel renuncia a tudo, até a si mesmo. O autor identifica essa renúncia na “extinção do ego” do Sufismo e na “não-mente” do Budismo Zen. No contexto cristão, o autor cita Mestre Eckhardt (1260-1328): “Só tem a verdadeira pobreza espiritual [no sentido de desapego ao mundo] o que nada quer, nada sabe, nada deseja”. O aspecto muitas vezes paradoxal da busca espiritual também é contemplado pelo autor, como num aforismo budista citado na obra: “Enquanto busca o estado de Buda, você não terá nenhuma chance de obtê-lo”. Aldous Huxley funciona como um intérprete de verdades como essa, por vezes difíceis de serem assimiladas pela mente racionalista ocidental.
Por: Slash ZennedPara baixar se livro é preciso ser cadastrado no site
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Enviado dia: 11/07/08, 18:50
Tags: Aldous Huxley
Entende-se por Filosofia Perene a abordagem das questões clássicas do pensamento ocidental pela filosofia do ser, ou filosofia realista, representada pelas sistematizações feitas por Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e São Tomás de aquino.